Tenho muito de medo de tudo. A toda a hora acho que estou a ter um ataque cardíaco. Recentemente fiz um exame e descobri que tenho extra-sístoles (palpitações). Um médico disse-me que podia ter um ataque cardíaco a qualquer momento e outro disse que não tenho nada, mas receitou-me um remédio para tomar para o resto da vida. Há alturas em que não consigo sair à rua. Há uma árvore próxima da minha casa e, cada vez que a vejo, tenho a certeza que vou morrer a bater de carro nela. Tenho 27 anos e estou a sofrer muito.
Não duvido que esteja a sofrer muito. O excessivo medo de morrer subitamente, com os sintomas referidos ao coração, faz pensar em crises de pânico e a sua repetição coloca o diagnóstico de perturbação de pânico. O facto de apresentar extra-sístoles em conjunto com a crise de pânico obriga a descartar uma outra perturbação com sintomatologia semelhante – prolapso da válvula mitral, tanto mais que os tratamentos são diferentes para aquelas condições. O medo de sair de casa costuma ser uma consequência do pânico e chama-se agorafobia. Tanto uma como outra situação e sua sequência têm cura e o tratamento não é para toda a vida. Na realidade, precisa de um bom psiquiatra, para um tratamento biológico, e de um psicólogo que domine técnicas como a hipnose clínica ou EMDR (Eye Movement Desensitization and Reprocessing, um método de dessensibilização e reprocessamento de experiências emocionalmente traumáticas que promove a comunicação entre os dois hemisférios cerebrais), para se dessensibilizar desses medos antecipatórios.
Psiquiatra
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